Tenho visto alguns amigos falando que estão lendo menos porque livros, especialmente os bons, ainda são um pouco caros . Mas existem muitas formas de continuar com esse lindo hábito mesmo na crise. Desde os tempos da faculdade vocês sabem que eu descobri o Estante Virtual. Até agora não tive nenhum problema com os vendedores lá e nunca compro dos mais caros, eu leio bem as informações sobre o estado do livro e nunca me decepcionei. Vou mostrar abaixo algumas compras pra vocês verem como os preços são baixíssimos:

 







-

  O Coração é um Caçador Solitário - Carson Mccullers
R$ 16,65


  Os Sofrimentos do Jovem, Werther - J. Wolfgang Goethe
R$ 10,15

-

  O Coração é um Caçador Solitário - Carson Mccullers
R$ 16,55

-

  Verão no Aquário - Lygia Fagundes Telles
R$ 11,08

-

  O Continente- o Tempo e o Vento 1 - Erico Verissimo
R$ 16,80


 












Eu também já comprei no Livronauta e ainda vou comprar mais,comprei um livro lá que eu não encontrava mais em lugar nenhum, Ponciá Vicêncio.

Para quem gosta de ler livros online ainda há vários sites para baixar legalmente, na Amazon sempre tem ebooks grátis, é muito bom para conhecer autores novos. Agora que eu comprei o meu Kindle, eu vou ler muito mais!

https://www.amazon.com.br/b?node=6311441011

E por falar em autores  novos, recentemente eu comecei a usar o Wattpad. Tem aplicativo para Windows Phone! Eu vou apoveitar par ler muitos livros com personagens negros porque normalmente autores famoso não escrevem personagens assim.
Essa é uma das histórias que eu quero ler:

https://www.wattpad.com/145842624-monique-de-frente-com-o-passado-pr%C3%B3logo/page/2







Então, não há desculpas para não ler. Mesmo se não der para comprar ou se não gostar de autores não muito conhecidos, sempre dá para baixar um clássico no Domínio público. Eu nunca fiz questão de ler apenas autores atuais e famosos. Nada melhor que um clássico.















Como vou começar a assistir Gilmore Girls, fiquei muito interessada nas leituras de Rory Gilmore, na verdade, saber que há uma personagem que ama livros foi um incentivo a mais para ver a série.
Eu encontrei a lista de livros dela nesse blog e já vi que é mesmo um desafio para a vida. Eu vou aproveitar para assistir e ler junto. Não esperem por um cronograma bonitinho, talvez eu leia um por mês, talvez menos porque eu tenho vários outros projetos rolando.
Vou colocar a lista aqui com o seguinte código:
Vermelho - Já li
Traçado - Não tenho interesse em ler
Negrito - Quero ler forte, prioridade.




  1. On the Road - Pé  na Estrada por Jack Kerouac
  2. As Aventuras de  Huckleberry Finn por Mark Twain
  3. Madame Bovary por Gustave Flaubert
  4. O Segundo Sexo por Simone De Beauvoir
  5. O bebê de Rosemary por Ira Levin
  6. A Pequena vendedora de Fósforos por Hans Christian Andersen
  7. Guerra e Paz por Leo Tolstoy
  8. David Copperfield por Charles Dickens
  9. A Pequena Dorrit por Charles Dickens
  10. Grandes Esperanças por Charles Dickens
  11. Um Conto de Duas Cidades por Charles Dickens
  12. Anna Karenina por Leo Tolstoy
  13. Harry Potter e o Cálice de Fogo por J.K. Rowling
  14. Mencken's Chrestomathy by H.R. Mencken
  15. My Life As Author And Editor by H.R. Mencken
  16. Peyton Place by Grace Metalious
  17. A Comédia dos Erros por William Shakespeare
  18. Os Sonetos por William Shakespeare
  19. Um Teto todo Seu por Virginia Woolf
  20. Finnegans Wake por James Joyce
  21. The Crucible por Arthur Miller
  22. Emma por Jane Austen
  23. Jane Eyre por Charlotte Bronte
  24. Medo e Delírio em Las Vegas por Hunter S. Thompson
  25. Orgulho e Preconceito por  Jane Austen
  26. The Portable Dorothy Parker por Dorothy Parker
  27. The Group por Mary McCarthy
  28. Vidas Sem Rumo por S.E. Hinton
  29. Helter Skelter: The True Story of the Manson Murders por Vincent Bugliosi and Curt Gentry
  30. Metamorfose por Franz Kafka
  31. The Miracle Worker por William Gibson
  32. No Caminho de Swann por Marcel Proust
  33. A Divina Comédia por Dante
  34. Carrie por Stephen King
  35. Um Bonde Chamado Desejo por Tennessee Williams
  36. Don Quixote por Cervantes
  37. Sonnets from the Portuguese por Elizabeth Barrett Browning
  38. Christine por Stephen King
  39. Quem tem medo de Virginia Woolf? por Edward Albee
  40. A Redoma de Vidro por Sylvia Plath
  41. A Arte da Ficção por Henry James
  42. O Sol Nasce para Todos por Harper Lee
  43. As Vinhas da Ira por  John Steinbeck
  44. Ulysses por James Joyce
  45. Out of Africa por Isac Denison
  46. Walden por Henry David Thoreau
  47. Fahrenheit  451 por Michael Moore
  48. Secrets of the Flesh: A Life of Colette por Judith Thurman
  49. Swimming with Giants: My Encounters with Whales, Dolphins and Seals por Anne Collett
  50. Alice no País das Maravilhas por Lewis Carroll
  51. Quem mexeu no meu queijo? por Spencer Johnson
  52. Mrs. Dalloway por Virginia Woolf
  53. Howl por Allen Ginsburg
  54. Selected Letters of Dawn Powell : 1913-1965 por Dawn Powell
  55. Rita Hayworth por Stephen King
  56. As Virgens Suicidas por Jeffrey Eugenides
  57. The Mojo Collection: The Ultimate Music Companion por Jim Irvin
  58. O Poderoso Chefão - Livro 1 por Mario Puzo
  59. Uncle Tom's Cabin por Harriet Beecher Stowe
  60. Savage Beauty:The Life of Edna St. Vincent Millay por Nancy Milford
  61. A Fúria do Destino por William Faulkner
  62. The Last Empire: Essays 1992-2000 por Gore Vidal
  63. The Collected Short Stories por Eudora Welty
  64. Os Divinos Segredos da Irmandade Ya-Ya por Rebecca Wells
  65. The Complete Poems por Anne Sexton
  66. Memórias de uma Moça Bem Comportada por Simone de Beauvoir
  67. Snow White and Rose Red por Grimm Brothers
  68. O apanhador no campo de Centeio J.D. Salinger
  69. The Tragedy of Richard III por William Shakespeare
  70. Ilíada por Homer 
  71. O Clube da Sorte e da Alegria por Amy Tan
  72. O Iluminado por Stephen King
  73. E o Vento Levou por Margaret Mitchell
  74. Several biographies of Winston Churchill
  75. O Espantalho de Oz por  L. Frank Baum
  76. The Children's Hour por Lillian Hellman
  77. Ter e não Ter por Ernest Hemingway
  78. Inherit the Wind por Jerome Lawrence and Robert E. Lee
  79. Letters to a Young Poet por Rainer Maria Rilke 
  80. Franny e Zooey por J.D. Salinger
  81. Notas de um Velho Safado por Charles Bukowski
  82. Selected Letters of Dawn Powell : 1913-1965 por Dawn Powell
  83. O Retorno do Rei - Livro 3 de O Senhor dos Anéis por J.R.R.Tolkien
  84. Frankenstein por Mary Shelley
  85. Hamlet por Shakespeare
  86. Conduzindo Miss Daisy por Alfred Uhry
  87. Memórias do General W. T. Sherman por William Tecumseh Sherman
  88. Rapunzel por Brothers Grimm
  89. David por Lisa por Dr Theodore Issac Rubin M.D.
  90. Waiting for Godot por Samuel Beckett
  91. Our Mutual Friend por Charles Dickens
  92. Candide por Voltaire
  93. The Dirt: Confessions of the World's Most Notorious Rock Band por Tommy Lee, Vince Neil, Mick Mars and Nikki Sixx
  94. The Bhagava Gita
  95. Matadouro 5 por Kurt Vonnegut
  96. Please Kill Me: The Uncensored Oral History of Punk por Legs McNeil and Gillian McCain
  97. Othello por William Shakespeare
  98. Terms of Endearment por Larry McMurtry
  99. O que terá acontecido com Baby Jane? por Henry Farrell
  100. Fletch por Gregory McDonald
  101. A Escolha de Sophia por William Styron
  102. O Mágico de Oz por L. Frank Baum
  103. The Yearling por Marjorie Kinnan Rawlings
  104. The Little Locksmith por Katharine Butler Hathaway
  105. Complete Novels por Dawn Powell
  106. Novels 1930-1942: Dance Night/Come Back to Sorrento, Turn, Magic Wheel/ Angels on Toast/ A Time to Be Born por Dawn Powell
  107. What Color is Your Parachute? 2005 por Richard Nelson Bolles
  108. The Portable Nietzche por Fredrich Nietzche
  109. Alta Fidelidade por Nick Hornsby
  110. Rebecca of Sunnybrook Farm por Kate Douglas Wiggin
  111. Emily, a Estranha por Roger Reger
  112. The Graduate por Charles Webb
  113. A Célebre rã Saltadora do Condado de Calaveras por Mark Twain
  114. Garota, Interrompida por Susanna Kaysen
  115. Inferno por Dante
  116. Bridgadoon por Alan Jay Lerner
  117. Those Lazy-Hazy-Crazy Days (3.1)
  118. A Bolt From The Blue and Other Essays por Mary McCarthy
  119. Shane por Jack Shaefer
  120. Freaky Friday por Mary Rodgers
  121. Cachinhos Dourados por Alvin Granowsky
  122. The Legend of Bagger Vance por Steven Pressfield
  123. The Manticore por Robertson Davies
  124. Dead Souls por Nikolai Vasilevich Gogol
  125. Harry Potter e a Pedra Filosofal por J. K. Rowling
  126. Henrique V por William Shakespeare
  127. The Merry Wives of Windsor por William Shakespeare
  128. HenriqueIV, Parte 1 por William Shakespeare
  129. Henrique IV, Parte 2 por William Shakespeare
  130. Fiddler of the Roof por Joesph Stein
  131. The Unabridged Journals of Sylvia Plath 1950-1962 por Sylvia Plath
  132. We Owe You Nothing- Punk Planet: the Collected Interviews edited por Daniel Sinker
  133. Marathon Man por William Goldman
  134. Deenie por Judy Blume
  135. The Electric Kool-Aid Acid Test por Tom Woolf
  136. Um Conto de Natal por Charles Dickens
  137. The Fountainhead por Ayn Rand
  138. Love Story por Erich Segal
  139. Romeu e Julieta por William Shakespeare
  140. Oliver Twist por Charles Dickens
  141. O Corcunda de Notre Dame por Victor Hugo
  142. Como  Grinch Roubou o Natal por Dr. Seuss
  143. Babe por Dick King- Smith
  144. A Arte da Guerra por Sun Tzu
  145. Gidget por Frederick Kohner
  146. The Outbreak of the Peloponnesian War por Donald Kagan
  147. The Peace of Nicias and the Sicilian Expedition por Donald Kagan
  148. Archidamian War por Donald Kagan
  149. The Fall of the Athenian Empire por Donald Kagan
  150. Stuart Little por E. B. White
  151. Julius Caesar por William Shakespeare
  152. O Grande Gatsby por F.Scott Fitzgerald
  153. Mutiny On The Bounty por Charles Nordhoff and James Norman Hall
  154. Eloise por Kay Thompson
  155. Macbeth por William Shakespeare
  156. Europe Through the Back Door, 2003 por Rick Steves
  157. The Rough Guide to Europe, 2003 Edition
  158. Nickel and Dimed por Barbara Ehrenreich
  159. Myra Waldo's Travel and Motoring Guide to Europe, 1978 por Myra Waldo
  160. Selected Hotels of Europe
  161. Moby Dick por Herman Melville
  162. The Holy Barbarians por Lawrence Lipton
  163. Bambi (Baseado no contro original de Felix Salten) por Felix Salten (Versão do Walt Disney)
  164. Encyclopedia Brown: Boy Detective por Donald J. Sobol
  165. A Sociedade do Anel - Livro 1 de O Senhor dos Anéis por J.R.R. Tolkien
  166. Moliere: A Biography por Hobart Chatfield Taylor
  167. Backlash: The Undeclared War Against American Women por Susan Faludi
  168. Estou com a Banda por Pamela Des Barres
  169. O Corvo por Edgar Allan Poe
  170. Cem Anos de Solidão por Gabriel Garcia Marquez
  171. Eleanor Roosevelt por Blanche Wiesen Cook
  172. Pinocchio por Carlo Collodi
  173. The Hobbit, The Sofa and Digger Stiles (4.3)
  174. Atonement por Ian McEwan
  175. Northanger Abbey por Jane Austen
  176. Snows of Kilimanjaro por Ernest Hemingway
  177. Suave é a Noite por F. Scott Fitzgerald
  178. O Sol Também se Levanta por Ernest Hemingway
  179. O Morro dos Ventos Uivantes por Emily Bronte
  180. Cujo por Stephen King
  181. 1984 por George Orwell
  182. O Vale das Bonecas por Jacqueline Susann
  183. Lies and the Lying Liars Who Tell Them por Al Franken
  184. The Gnostic Gospels por Elaine Pagels
  185. The Crimson Petal and the White por Michel Faber
  186. The Price of Loyalty: George W. Bush, the White House, and the Education of Paul O'Neill por Ron Suskind
  187. O Julgamento por Franz Kafka
  188. Diga adeus a Daisy Miller por Henry James
  189. Um Quarto com Vista por E.M. Forster
  190. Roman Holiday por Edith Wharton
  191. O Código Da Vince por Dan Brown
  192. The History of the Decline and Fall of the Roman Empire por Edward Gibbon
  193. The Naked and the Dead por Norman Mailer
  194. A Confederacy of Dunces por John Kennedy Toole
  195. Less than Zero por Bret Easton Ellis
  196. My Lai 4: A Report on the Massacre and Its Aftermath por Seymour M. Hersh
  197. A Heartbreaking Work of Staggering Genius por Dave Eggers
  198. Demons by Fyodor Dostoevsky; translated por Richard Pevear and Larissa Volokhonsky
  199. Catch-22 por Joseph Heller
  200. Pushkin: A Biography por T.J. Binyon
  201. Ethics por Spinoza
  202. Beowulf: Uma Nova Versão Traduzida por Seamus Heaney
  203. The Gospel According to Judy Bloom
  204. Folhas de Relva por Walt Whitman
  205. It takes a Village por Hillary Clinton
  206. R is for ricochet por Sue Grafton
  207. Angela’s Ashes por Frank McCourt
  208. Robert’s Rules of Order por Henry Robert
  209. The Year of Magical Thinking por Joan Didion
  210. A Teia de Charlotte por  E.B. White
  211. The New Way Things Work por David Macaulay
  212. Sexus por Henry Miller
  213. A Sangue Frio por  Truman Capote
  214. The Norton Anthology of Theory and Criticism por William E. Cain, Laurie A. Finke, Barbara E. Johnson, John P. McGowan, Jeffrey L. Williams, Vincent B. Leitch
  215. R is for Ricochet, S is for Silence por Sue Grafton
  216. A Monetary History of the United States por Milton Friedman
  217. Eva Luna por Isabel Allende
  218. Gender Trouble por Judith Butler
  219. The Vanishing Newspaper por Phillip Meyers
  220. As I Lay Dying por William Faulkner
  221. Tuesdays with Morrie por Mitch Albom
  222. The Canterbery Tales por Geoffrey Chaucer
  223. Complete Stories por Dorothy Parker
  224. The Collected Stories of Eudora Welty por Eudora Welty
  225. New Poems of Emily Dickinson por Emily Dickinson
  226. Living History por Hillary Rodham Clinton
  227. Santuário por William Faulkner
  228. Paris é uma Festa por Ernest Hemingway
  229. As Vantagens de Ser Invisível por Stephen Chbosky
  230. The Good Soilder por Ford Maddox Ford
  231. Social Origins of Dictatorship and Democracy: Lord and Peasant in the Making of the Modern World por Barrington Moore
  232. Lady Chatterley's Lover por D.H. Lawrence
  233. Rebecca por Daphne Du Maurier
  234. Bitch In Praise of Difficult Women por Elizabeth Wurtzel
  235. George W. Bushisms : The Slate Book of The Accidental Wit and Wisdom of our 43rd President por Jacob Weisberg
  236. Pigs at the Trough por Arianna Huffington
  237. Velvet Underground's The Velvet Underground and Nico (Thirty Three and a Third series) por Joe Harvard
  238. Everything Is Illuminated por Jonathan Safran Foer
  239. A Casa dos Espíritos por Isabel Allende
  240. Monsieur Proust por Celeste Albaret
  241. Iron Weed por William J. Kennedy
  242. Daughter of Fortune por Isabelle Allende
  243. Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly por Anthony Bourdain
  244. Laranja Mecânica por Anthony Burgess
  245. Casa de Areia e Névoa por Andre Dubus III


Anão de Jardim é um conto do livro A noite escura e mais eu. É a narração de um anão de jardim sobre o que ele conhece da humanidade. Eu estava olhando mais uma vez os arquivos da faculdade enquanto organizava o OneDrive e lembrei que eu comprei esse livro da Lygia apenas para analisa esse conto.
O anão de jardim que narra a história é um objeto de pedra e está em uma casa abandonada prestes a ser demolida. Enquanto espera o seu fim, ele recorda com amargura tudo o que viu na casa. Ele demonstra desprezo e falta de esperança na humanidade. 
Esse não é um anão divertido e sorridente como os outros, ele é filosófico, observador. Ele foi levado para a casa pelo proprietário que ele chama de o Professor, segundo o anão ele é bom, mas falta coragem e força para viver. A esposa o trai e trama sua morte.
O anão só é espectador de tudo, é como alguém que está vendo os humanos se perderem em seus vícios e nada pode fazer para mudar, para ajudar os bons e punir os vilões, tudo o que ele pode fazer é assistir impassível e se corroer pelo mal que presencia.
As palavras do anão são de alguém que pede a Deus uma segunda oportunidade para contribuir melhor com o mundo, para que possa agir em tudo o que ainda não pôde. Com um simples conto, Lygia nos faz sentir como esse anão, mas nós temos o dom real da vida, podemos agir, mudar as coisas, mudar nós mesmos.
Há uma esperança quando pensamos que nós temos tudo o que esse anão não tinha para mudar a realidade a nossa volta e fazer desse mundo um lugar melhor.


Lygia Fagundes Telles


 Nasceu em 19 de Abril de 1923.
Romances:
 Ciranda de Pedra, 1954
 Verão no Aquário, 1964
 As Meninas, 1973 (Prêmio Jabuti)
 As Horas Nuas, 1989

 

LIVROS DE CONTOS

 Porão e sobrado, 1938
 Praia viva, 1944
 O cacto vermelho, 1949
 Histórias do desencontro, 1958
 Histórias escolhidas, 1964
 O Jardim Selvagem, 1965
 Antes do Baile Verde, 1970
 Seminário dos Ratos, 1977
 Filhos pródigos, 1978 (reeditado como A Estrutura da Bolha de Sabão, 1991)
 A Disciplina do Amor, 1980
 Mistérios, 1981
 Venha ver o pôr-do-sol e outros contos, 1987
 A noite escura e mais eu, 1995
 Oito contos de amor, 1996
 Invenção e Memória, 2000 (Prêmio Jabuti)
 Durante aquele estranho chá: perdidos e achados, 2002
 Biruta, 2004
 Conspiração de nuvens, 2007
 Passaporte para a China, 2011

A NOITE ESCURA E MAIS EU.


• Prêmio Jabuti
Contos:
• Dolly
• Você não acha que esfriou?
• O crachá nos dentes
• Boa noite, Maria
• O segredo
• Papoulas em feltro negro
• A rosa verde
• Um branca sombra pálida
• Anão de Jardim


Personagens:

 Kobold (o anão)
 Professor
 Marieta
 Hortência
 Miguel(Cachorro)
 Adolfo (gato)
Todos são personagens planos.

Narrador Personagem em 1ª Pessoa:

“Meu peito (rachado) continua oco. A
não ser um ou outro inseto(formiga) que
se aventura por esta fresta, não há nada
aqui dentro e contudo ouço o coração
pulsante repeti EU sou”

Tempo Psicológico:

“ Falei em alma, seria um simples feixe
de memórias? Memórias desordenadas,
obscuras. [...] E agora me lembro da noite em
que este peito rachou feito uma casca de ovo:
Hortência entrou aqui trazendo um
pratinho de biscoitos e a caneca
fumegante de chá-mate.”

Espaço Fechado:

“Mas tudo já acabou, as pessoas, os
bichos,desapareceram todos. Fiquei só dentro de
um caramanchão, em meio a um jardim
abandonado. Pela porta (porta?) Deste
caramanchão em ruínas vejo a casa que está
sendo demolida, resta pouco dessa antiga
casa.”

Conto Fantástico


“Num conto fantástico, em nenhum momento o leitor
perde a noção da realidade. Por não perdê-la é que
lhe causa surpresa o acontecimento ou
acontecimentos estranhos, fora do comum ou
aparentemente sobrenaturais que de repente
parecem desmentir a solidez do mundo real até
então descrito no conto. Nesse momento de
surpresa e de perplexidade, está o próprio sal da
literatura fantástica. Daí um dos seus estudiosos,
Tzvetan Todorov, a ter definido como aquela que
provoca, no espírito do leitor, uma dúvida insolúvel
entre uma explicação natural e uma explicação
sobrenatural para os estranhos fatos que ele narra.”
(POE 1996, p. 4)

REFERÊNCIAS

 GOTLIB, Nádia Battella. Teoria do conto. São
Paulo: Ática, 1998. 8ª Edição.
 POE, Edgar Allan . Histórias fantásticas. São
Paulo: Átiva, 1996.


Alguns artigos do meu antigo e extinto blog Beletrismos ainda são os mais lidos aqui, como são úteis para muitos estudantes de letras, vou tentar postar os que eu nunca me interessei em passar para cá, já que não pretendo mais fazer um blog específico para literatura, mas o Histórias ainda é 90% literatura.


Bichos, um clássico da literatura portuguesa


Andreza Freitas, Anderson Clayton, Marília Fonseca de Oliveira, Daniele Cristina da Silva,

Milena Soares, Tamires Alves, Suelza Suzany Campelo

Resumo


Esse estudo tem como objetivo fazer uma análise da obra Bichos, livro do escritor

português modernista Miguel Torga que apresenta 14 contos mesclando animais e seres

humanos. Baseados em estudos de Massaud Móises, traçaremos as principais

características dos personagens e da narração do autor.

Palavras- chave: Literatura Portuguesa, Miguel Torga, Bichos.

Introdução


Escrito em 1940, Bichos faz parte do momento Presencista do Modernismo, fase em

que os autores transmitiam em suas obras características que tendiam ao individualismo,

mas não um individualismo gratuito e sim uma fuga para a vida junto à natureza. A

Natureza para os presencistas não era aquela bucólica dos árcades, mas uma natureza

real, que proporciona ao homem uma vida de suor e lágrimas, mas sempre repleta da

alegria de estar vivo. É na convivência com a terra que o homem descobre o valor de

todas as formas de vida e aprende a defendê-la, não por questões materiais e sim porque

reconhece a beleza que há nas coisas simples.

Bichos de Miguel Torga


Miguel Torga, pseudônimo literário de Adolfo Correia da Rocha, nasceu em 1907 na

aldeia de São Martinho de Anta, na província de Trás- os – Montes, Localizado no

Nordeste de Portugal.

A escolha do Pseudônimo “Miguel” foi uma homenagem ao escritor espanhol “ Miguel

de Cervantes” autor da famosa obra “ Dom Quixote”. Torga está relacionado a um

arbusto pequeno que fixa suas raízes nas rochas, muito comum em Trás- os – Montes, e

demonstra a ligação autor com a terra.

Em 1920, Torga vem ao Brasil trabalhar na fazendo de seu tio em Minas Gerais. Após

cinco anos retorna pra Portugal.

Miguel Torga participou do grupo inicial da revista “Presença”, publicada em Coimbra

em 1927, que defendia uma literatura viva, livre que se oporia ao academismo da

literatura jornalística:

Em 1927, um grupo de estudantes (José Regio, João Gaspar Simões e

Branquinho da Fonseca) funda, edita e dirige em Coimbra a revista

literária “Presença”. Tendo por subtítulo Folha de Arte e Crítica, o

primeiro número 27 da revista, Branquinho da Fonseca abandona-lhe

a direção, secundado por Miguel Torga (então assinado Adolfo Rocha,

seu verdadeiro nome) e Edmundo de Bettecout que deixaram de

colaborar: na carta que enviaram aos demais diretores da Presença,

datada de 16 de julho de 1930, iniciaram afirmando que a Presença

que se propunha, como folha de arte e crítica, defender o direito que

assiste a cada uma de seguir o seu caminho, começou a contradizer”, e

mais adiante lembram que a “presença concebe mestres e discípulos

com aquela interpretação convencional, em que aos mestres fazem

lições para os que se reputam alunos”. (MOISÉS: 2008, p.361)

Torga, sendo panteísta, tem um sentimento ligado à natureza e ao telurismo – amor a

terra, e estas características são dispostas de maneira significativa em suas obras,

especialmente em “Bichos”, nosso objeto de estudo. Outra característica do autor

presente na obra em questão é a problemática religiosa. Essas características vão ser

tratadas posteriormente.

Segundo MOISÉS: 2010, p.367:

“Miguel Torga é sempre o mesmo homem de pés fincados na

terra transmontada, porque nela espera encontrar a explicação

para a condição humana, imediatamente transformada em sua

mente num problema teológico-existencial, armado ao redor de

indignações-chave, do gênero “quem somos?”.

Bichos é composto por contos, mais especificamente quatorze, e muitas são as

características da sua constituição formal, que atestam esse fato.

Os contos são narrativas breves e geralmente centram-se em um acontecimento ou um

episódio da vida da personagem principal como em “Morgado” em que a narrativa foca

a viagem deste com o seu dono e o fatal encontro de ambos com uma alcateia de lobos.

E mesmo quanto tem que narrar acontecimentos diegéticos ocorridos em longos

períodos como no caso de “Nero”, onde a personagem principal relembra toda sua vida

o autor condensa a narrativa de forma a abranger toda a vida da personagem em poucas

páginas.

O conto é uma narrativa breve; desenrolando uma só incidente

predominante e uma só personagem principal, contém um

assunto cujos detalhes são tão comprimidos e o conjunto do

tratamento tão organizado, que produzem uma só impressão.

(Brander, Matthews apud Goltlib: 1998 pg.60)

A obra apresenta uma característica bastante peculiar, que é a aproximação dos contos

com o texto fabular, Segundo GOTLIB (1995,p.150): “Fábula é uma historia com

personagem, animais, vegetais ou minerais, tem objetivo instrutivo e é muito breve.”

Embora o texto de Torga se aproxime das características da fábula, não se constitui

como uma, pois a instrução não é apresentada de forma direta e esta não é a intenção do

autor.

Os quatorze contos apresentam personagens principais que vivem situações ou

apresentam sentimentos muito ligados a terra e a natureza como, por exemplo, o touro

“Miura” que capturado, levado para longe de sua terra e obrigado a fazer parte de um

espetáculo que acha humilhante, devaneia com a terra natal onera rei e podia ser livre.

Entretanto não é só a ligação com natureza que é o ponto comum entre os contos, há

outros que não podem deixar de ser mencionados. “Bichos” é formado pode contos dos

quais quatro apresentam protagonistas humanos e dez apresentam como figura central

animais. Nesse ponto trava-se uma questão interessante e significativa para a obra, que

seria a utilização da antropomorfização e da zoomorfização, empregadas pelo autor para

a caracterização do perfil psicológico das personagens. Essas características estão

muito presentes na obrar e não são poucos os exemplos que constatam.

O conto “Ramiro”, por exemplo, narra à história de um pastor de ovelhas que depois de

passar vinte anos em Marão, lugar árido e silencioso, ele não consegue usar as palavras

para se expressar por isso assobia:

“Por isso, em vez de fala, usava outra linguagem: um assobio

seco, estridente, instantâneo, que atirava com a mesma violência

à cara dos interlocutores e às reses tresmalhadas. O apito, saído

dos beiços com o ímpeto dum arremesso, entrava nos ouvidos

como um punhal. Quase que fazia sangrar os tímpanos.”

(TORGA: 1940,p.48)

Depreende-se que Ramiro não se expressa como um ser humano, sua forma de

comunicação é mais assemelhada com a dos animais que usam sons para se comunicar.

Mas não é só com o assobio que Ramiro tenta se expressar, apaixonado por Rosa não

sabe manifestar seus sentimentos a não ser pelo olhar. Como podemos observar:

“Quando passava por ela, comia-a com os olhos.

Desgraçadamente, não sabia formular doutra maneira o desejo

que o roía. ”(TORGA: 1940, p. 48)

A zoomorfização esta presente também em “Madalena” e “Senhor Nicolau” que são

personagens planas.

O único conto que tem como personagem principal um humano que não apresenta

características de animais é “Jesus”, sétimo conto do livro que traz a historia de um

menino divinizado, cheio de coragem e inocência, em uma narrativa que faz várias

alusões ao texto Bíblico, caracterizando assim uma intertextualidade.

Essa intertextualidade entre os dois livros que se faz não apenas no conto “Jesus”, mas

no livro como um todo, a começar pelo prefácio iniciado com a seguinte frase: “São

horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé” (TORGA 1940, p.3)

A questão religiosa tem seu ápice em “Vicente”, ultimo conto do livro no qual o autor

traz o embate entre a criação e o criador. “Vicente”, o corvo, revolta-se contra Deus,

pois o considera injusto e tirânico. O corvo vence seu instinto de conservação que

considera humilhante. É interessante observar que o ser sem poderes sobrenaturais

consegue a divindade com s sua coragem e força de vontade.

Em Vicente além da questão religiosa, podemos observar um traço que se repetirá com

os demais protagonistas animais: Nero, Morgado, Bambo, Tenório, Cega- Rega,

Ladino, Farrusco e Miura, que é da antropomorfização, em que estes apresentam

pensamentos, emoções e em maior ou menor grau atitudes características dos seres

humanos, como por exemplo, Miura que encurralado e humilhado entrega-se a morte:

“A suprema humilhação de estar ali juntava-se o escárnio de

andar a marrar em sombras. Não. Era preciso ver calmamente.

Que a sua raiva atingisse ao menos o alvo. O espectro doirado lá

estava sempre. Pequenino, com ar de troça, olhava-o como se

olhasse um brinquedo inofensivo.” (TORGA:1940, p 55)

Os contos são todos narrados em terceira pessoa e por meio da onisciência do narrador

os pensamentos e as emoções das personagens nos são desvelados:

Naquela tarde, à hora em que o céu se mostrava mais duro e mais

sinistro, Vicente abriu as asas negras e partiu. Quarenta dias eram já

decorridos desde que, integrado na leva dos escolhidos, dera entrada na

Arca. Mas desde o primeiro instante que todos viram que no seu

espírito não havia paz. Calado e carrancudo, andava de cá para lá

numa agitação contínua, como se aquele grande navio onde o

Senhor guardara a vida fosse um ultraje à criação. (TORGA, :

1983. p.62)

Quanto ao discurso, embora haja a presença do discurso livre em todos os contos e o

discurso indireto esteja presente de forma marcante no conto Jesus. È o discurso

indireto livre que predomina nos contos.

Nas narrativas decorre tanto o tempo cronológico que é aquele em que a historia é

contada em sucessão cronológica, sem retomadas ao passado , que podemos constatar

na maioria dos contos como no caso de Tenório:

“Nascido duma ninhada que a senhora Maria Puga deitou

amorosamente debaixo das asas chocas da Pedrês, em doze de

Janeiro, pelas três da tarde, quando a velhota o viu sair da casca,

(...)” (TORGA :1940, p.34)

Há contos em que apresentam traços de tempo psicológicos, por meio de analepses, as

personagens retomam situações vividas por elas, aspecto que percebemos em Morgado:

“À ceia, o patrão, com cara de poucos amigos, recusara-lhe as

festas desta maneira:- Deixa-te lá de brincadeiras e enche-me

esse bandulho, que amanhã de madrugada, nem que chovam

picaretas... Tal e qual. Meteu a viola no saco, claro, e atirou-se

ao penso como pôde. Mas não sentia vontade. Tinha ainda no

estômago os tojos que despontara à tarde no monte, e andava,

sem saber porquê, de coração apertado. Além disso, aqueles

modos do dono até parece que endureciam o feno. A gente

também vive de boas palavras. E, verdade se diga, gostava do

sujeito. Desde que ele, há seis anos, na feira dos vinte e três, o

distinguira no meio dum regimento de azémolas e lhe dera uma

palmada rija na anca, simpatizara com a sua figura atarracada,

vermelha, a respirar saúde e bonomia. (TORGA: 1940, p. 24)

Torga usa uma linguagem própria do Modernismo, linguagem livre, direta, sem

enfeites e rebuscamentos e ao mesmo tempo complexa, pois nem sempre sua narração

é linear.

Considerações Finais


Assim tem –se em Bichos um retrato fiel do aspecto telúrico de Miguel Torga, nessa

obra ele apresenta um pequeno mundo em que homens e animais vivem em comunhão

com a natureza e dividem com ela suas tristezas e alegrias. Para Torga o lugar onde o

homem consegue ser feliz e descobrir sua essência é na natureza. A sociedade oprime o

que há de belo no sentimento humano, como percebe-se em Bambo, todos vivem

alienados, trabalhando o dia inteiro e descansando a noite, sem pensar que há outras

coisas mais importantes para serem vivenciadas.

‘’ Para todos os habitantes de Vilarinho, sem exceção, as noites

eram noites – escuridão apenas. E os dias pior ainda, apesar da

claridade. Ricos e pobres nem no brilho do sol reparavam.

Comiam, bebiam e cavavam leiras, numa resignação de

condenados (...) E a vida, como um fruto, estava cheia de

doçura.Mas fora preciso, para o saber, que Bambo

aparecesse...’’ (Bambo, p16)

Portanto, para Miguel Torga só o convívio com a natureza é capaz de revelar ao homem

sua verdadeira essência. Não é gratuitamente que Tio Arruda é ridicularizado pela

amizade com um sapo em frente à igreja. Torga também critica por meio dessa cena a

religião, ou como as pessoas vivenciam a religião, todas essas convenções que na

verdade não aproximam o homem de Deus, com a leitura dos contos percebe-se como

para o autor Deus está integrado com a natureza, com a terra, fazendo parte dela.







Algumas das minhas favoritas frases de Machado de Assis no livro Dom Casmurro.

…os olhos continuaram a dizer coisas infinitas.




os bem-amados, os bem-aventurados, que se foram desta para outra vida, continuar um sonho provavelmente.




Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos,(…), mas não a mim.


Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; tinha orgias de latim e era virgem de mulheres.


HA-Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos: nós roemos


A emoção era doce e nova, mas a causa dela fugia-me, sem que eu a buscasse nem suspeitasse. Adverti que era fenômeno recente acordar com o pensamento em Capitu, e escuta-la de memória, e estremecer quando lhe ouvia os passos. Se se falava nela em minha casa, prestava mais atenção de que dantes. Cheguei a pensar nela durante as missas daquele mês, com intervalos, é verdade, mas com exclusivismo também


O ser humano gosta de complicar as coisas, é só uma brisa, quem sabe ela bagunce teu cabelo, quem sabe te acaricie o rosto, quem sabe, quem sabe…


Escapei ao agregado, escapei a minha mãe não indo ao quarto dela, mas não escapei a mim mesmo. Corri ao meu quarto, e entrei atrás de mim. Eu falava-me, eu perseguia-me, eu atirava-me à cama, e rolava comigo, e chorava, e abafava os soluços com a ponta do lençol.


Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.


(…) dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro…


Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada.


… éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio.


Nós é que éramos os mesmos; ali ficamos, somando as nossas ilusões, os nossos temores, começamos já a somar as nossas saudades.



A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.


Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, mas uma só criatura seráfica. Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham.


Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.


E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativas frustradas tentou até amar… Pois bem, não conseguiu, e aqui está.

- ASSIS, Machado. Dom Casmurro.