Uma história que se passa em Londres e arredores em uma época de urbanização. As irmãs Helen e Margaret são órfãs ricas que, junto com o irmão mais novo Tibby, vivem apreciando a arte, teatro, literatura, não precisam trabalhar, pois vivem do rendimento de suas heranças. Sempre me perguntei o que fazem os personagens da maioria dos romances. É isso, eles não fazem nada para sobreviver, representam essa pequena e sortuda parcela da sociedade.
Logo no início, Helen está em um breve romance com um jovem chamado Paul Wilcox, ela se apaixona por toda a família do rapaz, assim como pela casa em que viviam e em que ficou hospedada, Hoards end. O romance foi logo interrompido por discordância da família de Paul. A tia de Helen se mostra muito ofendida com a situação e parece que as famílias nunca mais terão uma ligação, no entanto não é o que acontece.
O autor inclui bastante as transformações da época, a crise financeira, que não afeta tanto os muito ricos, a urbanização, que faz com que as irmãs tenham que sair da propriedade em que sempre moraram para que essa seja derrubada e construídos apartamentos no lugar.
O lado muito pobre fica por conta de Leonard Bast, ele conhece as irmãs Schlegel no teatro, mas ele não faz parte dessa população que pode consumir arte, mesmo sonhando com momentos literários ele tem que se preocupar com a subsistência para si e para a esposa. A experiência lhe mostra que para pessoas como ele nada vale a arte sempre ter um emprego para comer.
Helen é a irmã ligada ao feminismo e ao 'socialismo', ela tenta ajudar Paul, mas na verdade o envolvimento com as irmãs Shlegel e com o Wilcox só traz desgraça para ele.
Das duas irmãs Helen é a descrita como a mais bonita, mais nova, romântica, bem a frente de seu tempo, o que é visto muitas vezes como loucura. Margaret parece com ela apenas no início, mas a ligação das duas sofre abalos. O que parece é que Margaret deseja se adequar à sociedade, de uma forma que ela se convence de que ama um homem com qualidades questionáveis e valores diferentes dos seus, talvez o temor de perder uma rara oportunidade de casamento em sua idade.
Os Wilcox nunca saem da vida deles, mas não pelo lado de Helen e sim por parte de Margaret que procura sempre pelo bem de seu casamento manter contatos amistosos com todos. Eles sempre desconfiam que tudo o que as irmãs fazem é com o objetivo de obter a propriedade de Howards End. No geral os Wilcox se mostram muito mesquinhos, os filhos são incapazes de fazer seus investimentos renderem e ficam à espreita dos bens do pai.
A relação entre as famílias tem muitos momentos de tensão e poucos de afeição. Trata-se de relacionamentos realista, ao contrário do que a literatura costuma apresentar, e por isso um tanto insípidos. Se não fosse pela empatia pelas irmãs Schlegel, eu diria que o romance vale mais pelo retrato do momento do que pelo entretenimento. Mas há apego por elas, há suspense pelo destino desses personagens e isso também torna o romance muito gostoso de se ler.